Não seja a bola da opinião dos outros.

Semana passada eu me reuni com mulheres maravilhosas e fomos ao bar. Conversamos sobre diversos assuntos, mas o assunto que mais voltava a tona era: insegurança. Nossas inseguranças como mulheres em relação a outras mulheres, homens, relacionamento, nós mesmas, etc.

Ao longo das conversas sobre isso, todas se identificavam com alguma insegurança que a outra também tinha, todas praticamente diziam a mesma coisa: “a sociedade tem um padrão muito severo”, “nunca sei como o outro vai me aceitar”, “as vezes me comparo com a outra menina da foto”, etc. Coisas normais, que nós mulheres fazemos, porquê infelizmente somos ensinadas assim.

Eu fiquei prestando atenção, um pouco chocada porque todas eram meninas MARAVILHOSAS e com inseguranças, durante a conversa ficava com receio de falar algumas coisas. Eu também tenho inseguranças, mas eu não consegui me identificar com nenhuma das inseguranças das meninas, conversamos sobre isso e elas ficaram, nossa que empoderada, segura etc, e eu fiquei alheia, por que não me sinto assim.

Não me sinto empoderada porque eu não era insegura e  briguei para ser segura. Eu sempre fui construindo essa barreira em mim. Isso sempre foi um exercício constante na minha vida. Minha mãe sempre repetia isso pra mim: “Luiza, não liga para a opinião do outro”, e isso virou um mantra e eu internalizei, de um jeito que me fez ser assim. E lógico, já tive muita insegurança em relação a tudo, mas no final eu sempre pensava que a única pessoa que eu tinha que agradar, era eu.

cultivo

Durante o Happiness isso intensificou com um sutra que ganhamos: “não seja a bola da opinião do outro”, que nada mais é que, e vou parafrasear a Lu Amorim, não se deixar inflar o ego com elogios e muito menos se murchar com críticas. Nós não podemos dar o controle remoto da nossa auto-estima, da nossa vida, para as outras pessoas. Quem controla isso somos nós.

Eu sei que tudo parece lindo na teoria, mas é lindo na prática também. É um exercício constante e que deve partir de cada um.

Antes de postar esse texto eu fiquei muito insegura, até  porquê ninguém é 100% seguro, eu nunca posso saber como vocês que o estão lendo podem reagir, tive medo de parecer presunçosa ou de me sentir muito segura e diminuir as outras pessoas que são inseguras, quando eu também me sinto insegura em reação a inúmeras coisas. Eu queria destacar que a precisamos sempre nos sentir bem, aceitar quem somos de verdade, independente do que o outro acha que a gente tem que ser, precisamos nos aceitar por inteiro. Cada um é o que o é, o que veio destinado a ser. Eu sou a Luiza, a Claudia é a Claudia, a Sofie é a Sofie e assim vamos seguindo. Cada um sabe dos seus demônios, ninguém está aqui para julgar ninguém, apenas para dizer palavras encorajadoras e quem sabe ajudar o outro.

beautiful-like-me

Encerro o texto de hoje deixando aqui pra todas as pessoas, mulheres, homens, trans, que estão num momento de insegurança trevoso, ou com um medinho bobo, algumas palavrinhas pra elxs se lembrarem sempre: RESPIRA E LEMBRA QUE VOCÊ É MARAVILHOSX! CADA SERZINHO É ÚNICO E NÃO EXISTE PADRÃO NENHUM NO MUNDO QUE A GENTE SE ENCAIXE, TODOS SÃO PERFEITOS DO JEITINHO QUE VIERAM. O QUE O OUTRO PENSA É NADA PERTO DA MARAVILHOSIDADE QUE É SER VOCÊ! ❤

Um beijo gigas e até o próximo café!

loveme

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Desculpe o transtorno, mas tenho um transtorno.

Eu sei, parece difícil de acreditar né? Como pode, ela tem tanta energia e parece sempre tão feliz, não pode ter um transtorno. Nem tudo é o que parece, e nem todo transtorno é só tristeza.

Eu basicamente fui Bipolar a vida toda, até porque a bipolaridade é um distúrbio de humor que praticamente nasce contigo e vai se moldando durante a vida. Mas só fui diagnosticada à um ano. Desde então eu venho me aceitando dentro desse novo “nome” (nem tanto porquê acho muito chato viver sendo uma “doença”, tomando medicação e tentando controlar uma coisa difícil de controlar: meu humor).

É engraçado falar isso, porque parece ser tão fácil, mas juro, é praticamente impossível. A minha vida se resume as vezes em:

  • Tá tudo maravilhoso e dando certo – to depressiva e chorando 24 horas
  • Tá tudo horrível e dando errado – tô rindo e querendo fazer festa, pulando o tempo todo

bipolar

Ou seja, eu não tenho um gatilho que explique a felicidade ou a depressão, lógico que as vezes acontece, o que acentua ambos, e eu fico extremamente triste ou extremamente feliz. E é ai que mora o problema da doença, eu meio que perco o controle. Meio não. Eu realmente perco.

O fato de não conseguir controlar acontece em segundos, e quando eu vejo já to fazendo algo que me prejudica. Dirijo de maneira imprudente, bebo demais, me desqualifico, me isolo, brigo com pessoas que gosto, tenho pensamentos que não teria, entre outras coisas. Mas o que realmente pesa, é não conseguir explicar pras pessoas que eu não controlo isso.

Eu sou uma pessoa de difícil convivência naturalmente, eu reconheço isso. Com a bipolaridade fica pior. Tá certo que medicada tudo fica mais fácil, mas mesmo assim é complicado. E é complicado pra todo mundo que tá na mesma situação que eu.

Não me escondo atrás de uma doença, porque ela não define quem eu sou, mas ela faz parte de mim, infelizmente. Ela tá aqui, desregulando uma coisa e controlando meu humor. As vezes me afastando de pessoas muito especiais pra mim, porque ela auxilia o meu temperamento difícil a ficar um pouco pior. Mas a gente joga limpo uma com a outra, e ela sabe que ela precisa ficar de boa (porque ela não tem cura, ela só pode ser estabilizada), e nós vivemos de boa e muito bem.

E apesar de ser difícil pra caramba em alguns momentos, da pra levar uma vida tranquila e “normal” hahaha. Tudo vai da aceitação que se tem. Eu tenho uma psicóloga maravilhosa, um psiquiatra ótimo, e uma família mais que maravilhosa, que me apoia e amigos que sempre me auxiliam, e é o que importa.

setembro-amarelo

Como vocês estão muito lindos no facebook com o Setembro Amarelo, resolvi abrir meu coração, e meu cérebro com vocês, compartilhar sobre a minha “amiga” Transtorno Afetivo Bipolar, e sobre como ela é a segunda maior causa de suicídio no mundo. E também pra vocês prestarem bastante atenção em vocês e nos amigos de vocês que estiverem passando por um momento difícil, se ausentando, ou tendo bruscas mudanças de humor ou reclamando de falta de sono, pra eles sempre buscarem ajuda psicológica e psiquiátrica. E também, se forem casos muito extremos, liguem no CVV: 141 , eles estão sempre a disposição para ajudar quem precisa. ❤

Um beeeeeeeijo enorme, até semana que vem!!

amy-bjs