Tudo que bastava, era eu.

Durante anos eu vivi uma mentira. Durante anos eu vivi uma vida que eu montei pra mim. Era muito mais fácil viver uma vida projetada, do que viver quem eu era.

Mas eu cansei.

Cansei de fingir ser uma coisa que não era. Cansei de estar sempre agradando. Cansei de estar sempre sorrindo. Cansei de dar meu melhor. Cansei.

E tirei minha máscara. Ou melhor, minhas máscaras – eram muitas mesmo.

2017 foi o ano que decidi viver verdadeiramente eu. Foi quando percebi que não adiantava mais me esconder, eu precisava ser eu. E foi um baque descobrir quem eu era.

Eu cheguei ao cúmulo de NÃO SABER QUEM ERA. Me olhava no espelho e não me reconhecia, em nada daquilo ali, aquela pessoa refletida no espelho não era eu. Eu não me via mais. A verdade é que eu nunca me vi – sempre vi máscaras.

espelho

A parte mais difícil foi reconhecer que eu precisava parar com esse ciclo. Eu já fazia terapia, o que foi de grande ajuda, por que quando eu tive a primeira crise de identidade eu nem sabia o que fazer. Eu não sei se vocês já passaram por algo semelhante, mas a sensação física é tipo como se um buraco gigantesco tivesse se aberto em baixo dos teus pés, mas tu fica flutuando ali, com medo de cair. É apavorante. Mas passa.

E eu chorei. Chorei muito. Ainda choro. MUITO, O TEMPO TODO.

Durante esses anos de máscara eu me deixei de lado, eu vivi pra agradar os outros. Eu queria todo mundo sempre feliz e esqueci de mim. E nesse processo todo, eu fiz a coisa mais importante e o que eu realmente queria falar, que é sobre se PRIORIZAR Sobre a gente ser a coisa mais importante na vida da gente. Sobre ser egoísta do jeito certo. Entender que a gente é a razão da nossa existência.

Então eu ME PRIORIZEI.

Eu escolhi e decidi que EU era a pessoa mais importante da minha vida e eu precisava me agradar. Eu precisava me fazer feliz. Eu precisava fazer tudo aquilo que eu fazia pros outros, mas pra mim. E eu fiquei sozinha.

SOZINHA. muito sozinha.

Eu escolhi ficar sozinha. Eu sofri de ficar sozinha, chorei de estar sozinha. Mas eu precisava estar sozinha. Eu precisava aprender a ficar comigo, aprender a não depender emocionalmente dos outros, precisava entender que EU ME BASTAVA.

E funcionou. – ainda trabalhando pesadamente nessa questão, mas tá funcionando.

O engraçado é que quanto mais sozinha eu queria ficar ou mais fiquei sozinha, foi quando eu mais tive pessoas ao meu redor. Eu não precisava buscar companhia, elas se faziam presentes comigo o tempo todo. Meus amigos e minha família foram sensacionais nesse processo. Não consigo expressar o quanto eu me sinto grata por isso.

Quando eu não me via, não me enxergava, meus amigos estavam ali, me mostrando a Luiza que eles sempre viram, e me ajudando a encontrar a Luiza que eu precisava reconhecer (mas que eles já conheciam bem). Obrigada por continuarem aqui e não desistirem de mim. ❤

Eu ainda estou me encontrando. Me procurando aqui dentro. Mudei meus hábitos – com projeto verão e tudo, por que até meu corpo virou alvo -, voltei a correr, faço meu exercício de respiração todos os dias, busco minha evolução e penso primeiro em mim antes de fazer qualquer coisa.

Quando a gente se coloca em primeiro lugar na nossa vida, as outras coisas acontecem automaticamente. Não existe ninguém no mundo capaz de tirar nosso brilho e tirar nossa importância.

Depois de toda essa dor e esse sofrimento, eu vejo que valeu a pena. A Luiza que eu sou hoje é muito legal (juro!), me sinto enebriada de energia e vontade de viver, alegre e realizada, grata e o melhor, dividindo tudo isso com quem é próximo a mim. Até porque “happiness is only real when shared”.

Eu espero que todos vocês vejam o quanto é importante ser verdadeiramente vocês. Ser a gente mesmo tem gostinho de liberdade e amor, muito amor.

Encerro as atividades de 2017 do Papeando com Café lançando um desafio para 2018: SE PRIORIZAR.

Boas festas pessoal!

natal

 

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Fase tóxica.

Oi gentes, a vida anda meio pombo e as ideias para novas conversas com vocês andam cada dia mais escassas, porém, tenho um amigo querido que me ajudou (ele ajuda em quase todos os posts, logo vou colocar ele como coautor, rs). Graças ao Rui, teremos papeando!

Hoje vamos conversar sobre nossa dificuldade imensa de nos livrarmos de coisas tóxicas. Pega teu café e vem.

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Dia desses durante uma palestra no Centro Espírita que frequento o tema abordado foi suicídio, o palestrante durante sua explicação e entre metáforas nos lembrou que nós não TEMOS vida, nos SOMOS vida. Constantemente falamos sobre a vida ser um presente, quando na verdade ela é parte de quem somos, é tudo que estamos passando e ainda vamos passar.

Obviamente que estar existindo é um presente, até porque nós vivemos o presente, logo vida é: presente e ser. Complexo né? Mais complexo ainda é entender que somos vida, que somos momentos constantes, que estamos aqui para aprender com nossas experiências e acrescentar mais luz para esse momento que é VIVER.

Como nem tudo são flores, boa parte dessa existência é sofrida e muitas vezes por causa das nossas próprias escolhas. Até porque não dá para culpar os outros pelas nossas escolhas/erros, né?

O principal erro que cometemos durante boa parte da nossa vida é continuar em relacionamentos, trabalhos e atividades tóxicas, aquelas que sugam nossa energia ao invés de nos deixar mais animados. Normalmente temos um apego tão grande nessas atividades que deixamos de enxergar o quanto aquilo nos faz mal, a ponto de ficarmos extremamente doentes e sem reação, precisando da ajuda de outras pessoas para abrir os olhos.

Reconhecer que está vivendo uma fase tóxica é o primeiro passo para conseguir sair dela, o segundo adivinha qual é?

ISSO MESMO, terapia! E sabe por quê? Porque poucas pessoas conseguem admitir/reagir sozinhas a coisas tóxicas, principalmente por estarem muito envolvidas naquela situação e caírem sempre na mesma armadilha. Por isso meus queridos, terapia é a salvadora de vidas de relacionamentos tóxicos, mas só quem está passando por aquilo é quem vai conseguir de fato sair.

Ter o desejo de se libertar dessas energias é o que ajuda a abrir espaço para reconhecer o que está passando, engatar a primeira marcha e ir em direção da saída.

Pode ser trocando de emprego, mudando o que estuda, se afastando de pessoas que não agregam mais nada e terminando aquele namoro frustrado que só te deixa em dúvidas. Isso faz parte do reconhecimento de cada um, descobrir qual é a atividade/relacionamento tóxico que está vivendo e encontrar uma maneira de sair.

abusivo

Falei muito e não disse a solução né? Justamente porque ainda não descobri o milagre. Estou engatinhando junto com várias outras pessoas na mesma situação, mas já descobri que com algumas atitudes tomadas, como me afastar de pessoas que não combinam mais comigo e começar a estudar algo que eu realmente gosto, me ajudou muito e senti que minha vida voltou a ficar mais leve, mais colorida e com a mesma energia que sempre tive.

O ponto crucial é: não tem problema descobrir que está em ciclos tóxicos, o problema é continuar insistindo em algo que só vai machucar. Procurar uma saída e buscar ajuda é sempre a melhor solução, em todos os sentidos. Então meus queridos, reconheçam seus ciclos, escolham pessoas que agregam (e não que sugam), se cerquem de coisas que fazem bem e aproveitem os reconhecimentos tóxicos, eles sempre vem carregados de boas lições.

Um beijo gigante e um ótimo final de semana!

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Os Suspeitos

Faz um tempinho que não rola nenhum Café Cultura por aqui, né? Então hoje vamos ter uma dica animal de um filme que vi esse final de semana.

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Os Suspeitos, filme de suspense que tira nossa respiração e nos deixa aflitos o filme todo.

Ele gira em torno do sequestro de duas meninas no dia de Ação de Graças, em uma cidade pequena e que como sempre, ninguém viu nada, nem sabe de nada. A polícia começa a investigação, que entre altos e baixos irrita profundamente o pai de uma delas, que toma as rédeas da situação, buscando fazer justiça com as próprias mãos.

os suspeitos

Com um plot twist de arrepiar, o filme conta com atores de peso como Jake Gyllenhaal, Hugh Jackman e Viola Davis, fazendo com que a gente não queira sair de frente da tela até o caso ser resolvido.

Indicado ao Oscar de melhor fotografia e vários outros prêmios, vale a pena as duas horas de filme e toda a adrenalina que ele traz!  Perfeito para assistir agora durante as férias da faculdade!

Assistam e me contem o que acharam!

Beijoss e bom filme!! ❤

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A força de continuar.

Faltando dois dias para completar dois anos sem cigarros, resolvi fazer uma reflexão sobre parar de fumar, e sobre a vida consequentemente.

Em abril de 2016 compartilhei com vocês a dificuldade que estava sendo o processo de largar o vício da nicotina e como eu lidava com tudo isso. Comentei inclusive sobre o que eu sempre ouvia (ainda ouço), que com o tempo a gente se acostuma e não sente mais falta.

Com propriedade da minha experiência em quase dois anos sem cigarro, digo: é mentira. Ao menos para mim. Continuo cada dia desejando fumar. Ainda sonho que estou fumando e acordo com cheiro de cigarro na mente. Mato a minha “vontade” me cercando de pessoas fumantes, ser fumante passiva nunca foi tão bom.

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Admiro a minha força de vontade, até porque, não é fácil estar cercada de tentações quando tudo que você quer é fumar. Isso tem me ajudado a ter forças para continuar, hoje só sentir o cheiro já alivia a ânsia da vontade.

Confesso que não lembro mais qual é a sensação de fumar. Lembro apenas do prazer e do conforto que sentia quando fumava. Acredito que passaria mal se fumasse hoje, mas ainda desejo fumar, com toda a força que tenho.

Espero manter toda essa força de vontade, conseguir manter o corpo livre de nicotina, se possível para o resto da vida. Mas preciso discordar das pessoas que dizem que a vontade diminui. A vontade continua ali, intacta, o que muda é a forma de lidar com a vontade. Assim como lidamos com cada coisinha que acontece com a gente diariamente.

Para vocês queridos que estão na luta para parar, boa sorte e força. Para os que ainda querem continuar fumando, boa sorte também. A luta é de todos, seja para manter ou largar o vício. O importante é fazer aquilo que nos faz bem.

Talvez esse texto seja desnecessário para algumas pessoas que não entendem como funciona, mas para mim e para todos os que lutam contra qualquer tipo de vicio, todo depoimento é válido e de ajuda. Deixa o teu nos comentários também! Assim vamos todos nos ajudando. 🙂

Uma semana lindíssima e cheia de luz! Beijocas.

urso

Flores raras

Lindezas! Depois desse final de semana regado a preguicinha e filmes, vamos começar a semana com Café Cultura! ❤

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O filme escolhido foi: Flores Raras, brasileiro e baseado em um livro homônimo.

Conta a história de romance entre a poetiza Elisabeth e a arquiteta/paisagista Lota. Apesar de ser um filme brasileiro e rodar quase todo no Rio de Janeiro, o filme é todo em inglês e conta com nossa queridíssima Gloria Pires.

Retrata a alta sociedade brasileira dos anos 50/60, com toques de politicagem e criação de Brasília e o Parque do Flamengo. Trata com beleza e muita naturalidade (o que pra época ainda era muito tabu) o relacionamento entre as duas mulheres, regado de amor e poemas lindos.

Com uma fotografia excelente e o figurino de tirar o fôlego, o filme encanta em todos os sentidos. Principalmente por retratar puramente o amor.

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“The shooting stars in your black hair, in bright formation, are flocking where, so straight, so soon?”

Recomendo muito, além disso Gloria Pires está mais linda do que nunca. Uma taça de vinho combina com o filme e com as emoções que ele traz!

Espero que gostem e boa semana!! Beijoca!

 

Amiga-ombro

 

Estava aqui pensando sobre as vezes em que me considerei uma péssima amiga por não conseguir ajudar ou estar disponível para alguém que gosto muito em algum momento da vida/dia.

Ai parei pra pensar, quantas vezes será que essas mesmas pessoas pensam em mim na mesma reciprocidade.  Uma coisa horrorosa de se fazer, mas as vezes necessária para eu não me sentir tão monstro.

Eu de verdade amo meus amigos, todos, cada um do seu jeitinho e tento sempre ser a melhor amiga que eu posso diante das situações.

Mas acontece que as vezes, só eu me doo. E amizades assim como todo relacionamento é uma via de mão dupla. Até a hora que a gente resolve, brigar para que volte a ser duplo, ou se afasta porque é injustiça.

Existem aqueles que nem notam a sua ausência – mas sempre voltam quando precisam de ajuda. Existem aqueles que reclamam, e muito – mas também só querem conversar sobre eles. E existem aqueles que te entendem e entram no teu ritmo.

Durante toda a minha vida eu fui a amiga-ombro de todo mundo. Acho que ainda sou, mas com muito mais regras. Criar essas regras pra mim, foram fundamentais no processo que eu chamo: descobrir quem sou e o que os outros querem de mim.

Obviamente que consegui tirar uma boa quantidade de pessoas que só queriam minha energia (sem problema com isso, cada um dá e recebe aquilo que precisa), mas vamos combinar que ser sugada 24/7 não é legal.

Quem conseguiu compreender o que eu queria com isso, segue a vida numa boa e falamos sobre nossos problemas + coisas banais. E tem aqueles que não entendem e desaparecem por completo.

Nesses momentos me sinto menos monstro, por que nem todos aqueles que eu SEMPRE estive disponível me perguntam como eu estou. Ou falam qualquer coisa. Então faz eu me sentir uma pessoa normal.

Não ignoro meus amigos, apenas não desejo ser o ouvido dos outros. Amizade é outra coisa. Estar ali para os amigos, também é outra coisa.

Talvez eu esteja menos empática, ou egoísta. Mas quando virei amiga e não só um suporte, me senti muito mais leve do que me sentia em anos. Carrego só o peso dos meus problemas agora, e me sinto zero culpada por não carregar o dos outros também, até porque não são meus problemas.

Eu sei que as pessoas nem sempre tem essa intenção, mas acabam fazendo. É compreensível. Só que melhor do que isso, é ter noção de que faz isso. Amigo não serve só pra despejar problema, ele serve pra dividir as alegrias e também as dores da vida, em doses moderadas.

Se você é meu amigo e está lendo, não se sinta mal, esse é um desabafo de uma vida toda, não de um momento. Talvez essa seja a hora de organizarmos nosso relacionamento, né?

E se ainda não somos amigos, vem, aqui tem lugar pra todo mundo. Com doses moderadas. 😉

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Escolhas.

Ultimamente tenho refletido sobre uma escolha que fiz recentemente: estar sozinha.

E é claro que preciso confessar que desde que eu terminei o meu último relacionamento, que não faz muito tempo, eu tenho preferido estar sozinha, sem envolvimento nenhum com ninguém.

Isso é um fato muito raro, porque eu sempre estou envolvida com alguém, em qualquer aspecto, mas principalmente: eu tenho sempre um casinho, um contatinho, que eu sei que estamos ali querendo um ao outro.

Mas desde esse término eu decidi que eu não queria mais isso, até porque vinha engatando casinho em casinho e eu queria realmente tirar um tempo pra mim, pra pensar na minha vida, colocar minhas coisas em ordem, pesar o que eu realmente quero em um relacionamento, o que eu deixo de fazer com frequência.

Esse processo vem levando uns 3 meses e ele está sendo bem mais difícil do que eu imaginava. Ele anda mexendo muito com a minha autoestima, e o quanto eu acho que eu preciso de alguém sempre me autoafirmando alguma coisa. O engraçado é que o processo é justamente para que eu consiga me sentir muito bem sozinha, o que sempre ocorreu comigo, e sem a necessidade de alguém por perto sempre. Obviamente venho me sentindo muito mais carente porque não tenho ninguém, hahaha.

Tirar esse tempo pra gente se descobrir é tão bom, que faz ser bom não ter sempre um contato certo, não ter coisas mais “concretas”. Claro que durante esse tempo eu beijei umas bocas, fiz várias coisas que queria fazer, mas todas com mais liberdade, sem amarras, sem sentir aquela necessidade ou obrigatoriedade de conversar no dia seguinte, nem de manter aquele vínculo com aquela pessoa só porque tivemos um envolvimento momentâneo.

Sinto falta de ter isso às vezes, mas depois me lembro que nem sempre gosto disso, uma coisa super contraditória. Às vezes acho que é pela carência ou talvez a necessidade de querer ter sempre alguém ali, me desejando, como se nosso amor próprio não fosse necessário ou suficiente. E na verdade não é isso. Com certeza em algum lugar existe alguém me desejando – assim como eu posso me dar conta de estar desejando alguém logo – mas eu não sei.

Não sei porque não estou dando abertura pra isso, foi minha escolha essa posição. Se me sinto carente ou algo do gênero foi porque escolhi isso, e às vezes (quase sempre) me esqueço disso.

No final das contas, o que quero dizer com isso é podemos escolher. As coisas que acontecem na nossa vida são resultados das nossas escolhas. Eu escolho que as pessoas não me vejam, ou não me procurem, porque foi a escolha que fiz agora, o momento que estou passando, uma fase. Então, a cada momento de carência ou de bad à toa, tento me lembrar de que a fase que estou não é um momento para estar com alguém, e sim um momento para estar comigo.

E isso pode mudar a qualquer momento, afinal de contas, são escolhas que fazemos pra nossa vida, não é mesmo?

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