Flores raras

Lindezas! Depois desse final de semana regado a preguicinha e filmes, vamos começar a semana com Café Cultura! ❤

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O filme escolhido foi: Flores Raras, brasileiro e baseado em um livro homônimo.

Conta a história de romance entre a poetiza Elisabeth e a arquiteta/paisagista Lota. Apesar de ser um filme brasileiro e rodar quase todo no Rio de Janeiro, o filme é todo em inglês e conta com nossa queridíssima Gloria Pires.

Retrata a alta sociedade brasileira dos anos 50/60, com toques de politicagem e criação de Brasília e o Parque do Flamengo. Trata com beleza e muita naturalidade (o que pra época ainda era muito tabu) o relacionamento entre as duas mulheres, regado de amor e poemas lindos.

Com uma fotografia excelente e o figurino de tirar o fôlego, o filme encanta em todos os sentidos. Principalmente por retratar puramente o amor.

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“The shooting stars in your black hair, in bright formation, are flocking where, so straight, so soon?”

Recomendo muito, além disso Gloria Pires está mais linda do que nunca. Uma taça de vinho combina com o filme e com as emoções que ele traz!

Espero que gostem e boa semana!! Beijoca!

 

Amiga-ombro

 

Estava aqui pensando sobre as vezes em que me considerei uma péssima amiga por não conseguir ajudar ou estar disponível para alguém que gosto muito em algum momento da vida/dia.

Ai parei pra pensar, quantas vezes será que essas mesmas pessoas pensam em mim na mesma reciprocidade.  Uma coisa horrorosa de se fazer, mas as vezes necessária para eu não me sentir tão monstro.

Eu de verdade amo meus amigos, todos, cada um do seu jeitinho e tento sempre ser a melhor amiga que eu posso diante das situações.

Mas acontece que as vezes, só eu me doo. E amizades assim como todo relacionamento é uma via de mão dupla. Até a hora que a gente resolve, brigar para que volte a ser duplo, ou se afasta porque é injustiça.

Existem aqueles que nem notam a sua ausência – mas sempre voltam quando precisam de ajuda. Existem aqueles que reclamam, e muito – mas também só querem conversar sobre eles. E existem aqueles que te entendem e entram no teu ritmo.

Durante toda a minha vida eu fui a amiga-ombro de todo mundo. Acho que ainda sou, mas com muito mais regras. Criar essas regras pra mim, foram fundamentais no processo que eu chamo: descobrir quem sou e o que os outros querem de mim.

Obviamente que consegui tirar uma boa quantidade de pessoas que só queriam minha energia (sem problema com isso, cada um dá e recebe aquilo que precisa), mas vamos combinar que ser sugada 24/7 não é legal.

Quem conseguiu compreender o que eu queria com isso, segue a vida numa boa e falamos sobre nossos problemas + coisas banais. E tem aqueles que não entendem e desaparecem por completo.

Nesses momentos me sinto menos monstro, por que nem todos aqueles que eu SEMPRE estive disponível me perguntam como eu estou. Ou falam qualquer coisa. Então faz eu me sentir uma pessoa normal.

Não ignoro meus amigos, apenas não desejo ser o ouvido dos outros. Amizade é outra coisa. Estar ali para os amigos, também é outra coisa.

Talvez eu esteja menos empática, ou egoísta. Mas quando virei amiga e não só um suporte, me senti muito mais leve do que me sentia em anos. Carrego só o peso dos meus problemas agora, e me sinto zero culpada por não carregar o dos outros também, até porque não são meus problemas.

Eu sei que as pessoas nem sempre tem essa intenção, mas acabam fazendo. É compreensível. Só que melhor do que isso, é ter noção de que faz isso. Amigo não serve só pra despejar problema, ele serve pra dividir as alegrias e também as dores da vida, em doses moderadas.

Se você é meu amigo e está lendo, não se sinta mal, esse é um desabafo de uma vida toda, não de um momento. Talvez essa seja a hora de organizarmos nosso relacionamento, né?

E se ainda não somos amigos, vem, aqui tem lugar pra todo mundo. Com doses moderadas. 😉

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Escolhas.

Ultimamente tenho refletido sobre uma escolha que fiz recentemente: estar sozinha.

E é claro que preciso confessar que desde que eu terminei o meu último relacionamento, que não faz muito tempo, eu tenho preferido estar sozinha, sem envolvimento nenhum com ninguém.

Isso é um fato muito raro, porque eu sempre estou envolvida com alguém, em qualquer aspecto, mas principalmente: eu tenho sempre um casinho, um contatinho, que eu sei que estamos ali querendo um ao outro.

Mas desde esse término eu decidi que eu não queria mais isso, até porque vinha engatando casinho em casinho e eu queria realmente tirar um tempo pra mim, pra pensar na minha vida, colocar minhas coisas em ordem, pesar o que eu realmente quero em um relacionamento, o que eu deixo de fazer com frequência.

Esse processo vem levando uns 3 meses e ele está sendo bem mais difícil do que eu imaginava. Ele anda mexendo muito com a minha autoestima, e o quanto eu acho que eu preciso de alguém sempre me autoafirmando alguma coisa. O engraçado é que o processo é justamente para que eu consiga me sentir muito bem sozinha, o que sempre ocorreu comigo, e sem a necessidade de alguém por perto sempre. Obviamente venho me sentindo muito mais carente porque não tenho ninguém, hahaha.

Tirar esse tempo pra gente se descobrir é tão bom, que faz ser bom não ter sempre um contato certo, não ter coisas mais “concretas”. Claro que durante esse tempo eu beijei umas bocas, fiz várias coisas que queria fazer, mas todas com mais liberdade, sem amarras, sem sentir aquela necessidade ou obrigatoriedade de conversar no dia seguinte, nem de manter aquele vínculo com aquela pessoa só porque tivemos um envolvimento momentâneo.

Sinto falta de ter isso às vezes, mas depois me lembro que nem sempre gosto disso, uma coisa super contraditória. Às vezes acho que é pela carência ou talvez a necessidade de querer ter sempre alguém ali, me desejando, como se nosso amor próprio não fosse necessário ou suficiente. E na verdade não é isso. Com certeza em algum lugar existe alguém me desejando – assim como eu posso me dar conta de estar desejando alguém logo – mas eu não sei.

Não sei porque não estou dando abertura pra isso, foi minha escolha essa posição. Se me sinto carente ou algo do gênero foi porque escolhi isso, e às vezes (quase sempre) me esqueço disso.

No final das contas, o que quero dizer com isso é podemos escolher. As coisas que acontecem na nossa vida são resultados das nossas escolhas. Eu escolho que as pessoas não me vejam, ou não me procurem, porque foi a escolha que fiz agora, o momento que estou passando, uma fase. Então, a cada momento de carência ou de bad à toa, tento me lembrar de que a fase que estou não é um momento para estar com alguém, e sim um momento para estar comigo.

E isso pode mudar a qualquer momento, afinal de contas, são escolhas que fazemos pra nossa vida, não é mesmo?

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O piano.

Estamos pertinho do dia das mães e eu não poderia deixar de fazer uma menção a isso, obviamente. Decidi então fazer uma edição especial do Café Cultura para vocês! Espero que gostem.

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O filme escolhido foi O Piano. Quando eu era criança e ainda morava em Porto Alegre com a minha mãe, nós tínhamos a assinatura do jornal Zero Hora que sempre fazia promoções legais, a mais legal era a que eles mandavam um filme novo em VHS todo domingo.

O Piano foi um desses filmes, lembro que eu e minha mãe assistimos ele várias vezes, uma porquê ele aborda música clássica e relacionamento mãe-filha-novo marido.

Preciso dizer que é um filme bem mórbido e super pesado para uma criança assistir, minha mãe sempre tapava meus olhos em partes que eram muito fortes para eu não ficar impressionada. E apesar de ser um filme triste e realmente muito forte, eu tenho uma lembrança muito doce de passar esses momentos com a minha mãe, aproveitando e curtindo um dos filmes que ela adorava. Assim como ela assistiu a milhares de desenhos só pela minha companhia e porque eu realmente gostava.

O filme retrata a história de uma mulher muda que tem uma filha e se muda para outra cidade com seu piano (e filha) para um casamento arranjado. A trama se discorre toda em dramas e ciumes do novo marido com a habilidade da mulher com o piano entre outros motivos. Retrata o extremismo do ciume e possessão que o outro acredita ter sobre ela.

E uma das coisas que mais me encanta é que recentemente descobri que o filme foi produzido e dirigido por uma mulher (em 1993!), e pasmem, ela é uma das únicas a ganhar uma Palma de Ouro no festival de Cannes. – Atualmente só existem 3 mulheres no mundo que tem esse prêmio.

Recomendo fortemente pela temática intensa, mas também pelo vínculo que o filme me trouxe com a minha mãe. Acredito que todos nós temos filmes que nos conectam com nossas mães em algum nível. Quero saber qual ou quais são os filmes que vocês tem essa ligação, me contem nos comentários, quero assistir também!

Aproveito para mandar um super beijo pra minha mãe maravilhosa, que é a mulher mais incrível e forte que eu conheço e que provavelmente eu não seria nada sem ela. Te amo mãezinha! ❤ 

Feliz dia das mães e bom final de semana amados! 

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