Liberdade das raízes

Peguem seus cafés que hoje o papo é reflexivo!

Essa semana meu tio querido veio jantar conosco, e conversamos sobre vários assuntos e temas, mas o que mais chamou minha atenção e acabou sendo o principal assunto da noite foi: a liberdade das pessoas que não criam raízes. Aquelas pessoas que não tem um endereço fixo, nem uma vida fixa, que levam uma vida sem amarras.

Confesso que não conheço ninguém assim, mas meu tio sim. Ele tem um amigo americano que não tem casa. Ele é músico, bem talentoso por sinal, e passa o tempo todo viajando de país em país tocando a música dele e aproveitando aquela liberdade.

Ai veio a pergunta que não quer calar, onde é que ele mora? Ele não mora em lugar nenhum, ele tem um contêiner nos EUA onde estão algumas coisas dele que ele não pode carregar pelo mundo, de resto, ele fica em hotéis, casa de amigos, aluga quartinhos ou fica na casa da namorada, aqui no Brasil.

Gente, vamos entender: esse cara, NÃO tem uma casa dele. NÃO tem um emprego fixo (com carteira assinada etc). Ele tem: liberdade, a música (que é a profissão) e o mundo como casa.

free

Fiquei com invejinha. Mas não me entendam mal, fiquei com inveja porque não tenho esse desprendimento. Porque não consigo abrir mão de coisas certas para viver aventurada.

Durante o jantar conversamos sobre como não conseguimos fazer isso e percebemos que é por causa do nosso modo criação. Todos nós fomos criados dentro de um “padrão”, óbvio que nossos pais nos deram liberdade, podemos viajar e tal, mas não temos a cultura de não ter algo para chamar de nosso. Nós buscamos ter uma boa casa, um bom carro, um bom emprego, porque na concepção geral (vulgo sociedade) isso é ter uma vida de verdade. Ter algo seu, quer dizer que você batalhou e buscou. Mas viver viajando e tendo outras experiências não é ter uma vida de verdade também? Eu também batalhei e busquei, mas encontrei o mundo.

Conseguem perceber a diferença?

Não estou aqui dizendo para largarem suas vidas e saírem viajando. Podem fazer se quiser, mas o ponto é, não temos essa cultura desapegada. Fomos educados de outra maneira. E esse cara que vive viajando não largou tudo porque estava cansado. Ele simplesmente disse que isso era o que ele queria fazer da vida dele, ele SEMPRE desejou isso. O objetivo dele era: viver no mundo tocando a música dele. E é isso que nós não temos. Nós sempre buscamos fugir. Queremos ir para o mundo porque cansamos do Brasil ou das nossas vidinhas programadas. O que eu super entendo, mas são viagens diferentes.

Acredito também que não deva ser sempre mil maravilhas e fácil viver assim, com certeza deve existir um tipo de planejamento e sem dúvida, muita reforma intima, para aprender a viver na incerteza. Mas que dá uma vontade de largar tudo e viver assim, dá. E já papeamos sobre isso aqui, lembram?  Com a diferença de hoje, falamos sobre viver uma vida sem raízes e não largar tudo pra viver uma aventura.

Agora vamos fazer um exercício e vamos pensar se realmente gostamos do que estamos fazendo com a nossa vida. Se estamos aonde queremos estar, se queremos fincar raízes aqui. Ou se pode ser em outra cidade ou país. Vamos tentar encontrar a nossa liberdade do que é corretamente padrão de fazer. E vamos encontrar o que nos faz bem. Vamos nos livrar das raízes que nos prendem em coisas padrões, e vamos buscar raízes que se encaixem a nossa vontade. O que acham?

bob
“Emancipe-se da escravidão mental, ninguém além de nós pode libertar nossa mente!”

Termino nosso papinho hoje com nosso querido Bob Marley e sua dica valiosa.
Um ótimo final semana e nos vemos na semana que vem!

Beeijos.

leo beijo

 

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Autor: Lu Bilhalva

Sou a Luiza e, assim como o café, gosto quando as coisas são fortes, intensas e quentes. Gremista não fanática, gaúcha, estudante de Psicologia, feminista e virginiana, além de adorar um papo, não nego um café e um chimarrão. Sou viciada em seriados, livros e filmes. Senti a necessidade de devanear nesse blog pra dividir um pouquinho da minha bagunça interna com o mundo. Dentro de um mesmo corpo há espaço para várias versões de mim mesma.

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